No meio dos papéis dentro das tuas gavetas encontrei memórias
de quando te fingias feliz. E como se fosse uma carreira de degraus, deparo-me com elas
por um segundo.
Antes de avançar.
O meu coração partiu-se e ficou pesado como cimento, como
uma barragem dentro do meu peito, em que nada fluía, nada passava.
Ao tentar impedir que o meu amor por ti fosse na corrente,
encheu-se de entulho o meu espírito, os meus dias.
Na tentativa de não te perder as memórias, ergui muralhas
dentro da minha própria alma.
E na tentativa de entender as tuas ações, quem és, perdi-me em apontamentos e equações. E por dias, perante os cálculos, acho que o meu coração parou de bater.
Na distância que vai do mundano do dia-a-dia e do que o meu
coração quer ser, fiquei retida.
Partiste-me o coração em fevereiro. Agora é julho. E com o passar das estações a barragem transbordou, e que nem uma inundação o sangue começou a correr, e ali, na corrente, eu vi correrem as memórias de um futuro contigo. E apesar de arder, não doeu entender que o amor é uma decisão. Sou mulher agora que sei.
E vás onde fores, eu não quero ir. E o futuro que se perdeu,
nunca existiu. Tu não és um capitão integro para os mares da minha alma. E não
podes ficar com nada do que é meu. Coração incluído.
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