Agora é diferente. Não há flores de inverno no meu jardim. Em mim. Colhidas pelos vícios da mulher que eu sou. Mulher sem flores.
Era uma noite fria, mas havia
calor em mim. - A necessidade de ser amada: sempre a paguei cara. E agora o espelho
pergunta-me,
- O que é de ti?
a minha mãe no telefone,
- O que é de ti?
A culpa é dele, Mãe. Foi ele, Mãe.
Ele disse que me amava, mas confundia o meu nome com puta. Ele planeava os meus
filhos, mas encostava a faca de cozinha ao meu ventre. Ele puxava-me o cabelo,
mas elogiava o das outras, Mãe.
Eu tive que me defender, Mãe.
Então agora é diferente. Não há
flores no meu jardim.
Pois, todas as pétalas para te
sufocar. Todas as sementes para te engasgar.
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