sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Mensagem 295

 


O amor é um bicho que pode ser domado,

Esfaimado,

Prendido.

E com este pensamento,

Pequenina diante de tal bicho,

Que se espuma e bafa à minha frente,

Nego este ímpeto de o montar,

De lhe colocar uma cela no dorso e uma trela na boca porque sei que ao fazê-lo,

É colocar uma cela e trela em mim.

Então viro as costas,

Fujo e fujo,

Corro e corro,

Escalo e escalo,

E aos poucos este bicho que é o amor,

Está longe, lá ao fundo,

Mal nutrido.

E eu tenho a impressão de que já não sou pequenina diante dele,

Mas não me chego perto para ter a certeza.


E no meio da fuga descobri outro que tão facilmente percebi que era também bicho,

Dei-lhe a mão a cheirar e ele não mordeu,

E ainda é homem, não bicho,

Mas eu vivo com medo de que ele se transforme,

Que me calque as mãos no meio da minha escalada,

Ou que eu não o saiba alimentar,

E ele não cresça saudável.

Mas eu gostava de ter um bicho que nunca perdesse o pelo,

Que me ajudasse a ser,

Um espaço meu,

Onde eu possa abrir as janelas de manhã e ele as feche à noite.

E eu não sou de rezar,

Nem sei avaliar-me bem ao espelho ou nas pautas,

Mas eu peço a deus,

Que me permita ter um amor grande, não um monstro.

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