segunda-feira, 11 de maio de 2009
I find a place where I feel I belong
E pela primeira vez reparei no teu defeito da íris, na tua falta de paciência, nas falhas da tua sobrancelha. E pela primeira vez não te prometi voltar amanha, não te prometi deixar a porta encostada, a chave ao peito. Disseste-me um dia que me ias ensinar a segurar o Porto na palma da mão e deita-lo ao rio, e eu imaginei-te a faze-lo mas já velho, com a sabedoria que só o tempo encontra. Não és velho mas eu fui-te descobrindo a velhice no corpo, como se a tua falta para mim fosse velhice. Quero-te pedir que não me esqueças, que não me deites a mim ao rio, quero que saibas que há amores mais fortes que nós, que há amores que nos apodrecem a alma de tão grandes, de tão secos.Pela primeira vez não te soube esperar mais que o tempo de um cigarro e os olhos que ele atraiçoa. Tenho medo de te deixar, de morrer ao contrário, de um dia não te lembrares do meu nome, da minha presença e da minha ausência. De eu não estar lá, no sofá, no lado esquerdo da mesa. Tenho medo que me percas, que um dia entres num avião e não voltes. Tenho medo que encontres o que eu não te sei dar noutro lugar, naqueles lugares onde nunca chega quem quer lá chegar.
Não me deixes pelo caminho, que as noites quentes se findem, não me deixes ir e voltar outra, intratável, a examinar-te ao longe, sem um beijo, sem um toque. Não me deixes perder, não me largues a mão, não deixes que os cigarros atrás do muro se findem.
sábado, 2 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Although we've only known each other a bit already I can't sleep at night and I feel like shit
Há qualquer coisa que me dói onde não devia,Como a tua forma de te agarrar ás palavras, que me dói de uma forma imensa.
Como se todas as tuas mentiras fossem culpa minha.
Todas as mentiras que trazes na ponta do dedo,
Sempre pronto a espetar na ferida daqueles que choram quando vêem sangue.
Nunca saram as minhas feridas, nunca cicatrizam. Tu não deixas.
Nunca sangro de dentro para fora, mas de ti para mim.
Os teus olhos presos nela, e os meus a fugirem para ti.
Talvez tu me salvasses, dos lugares em que eu me deixei perder.
Da minha confusão de cabeça. (merda, merda, merda)
Os teus olhos presos ao rabo dela, e os meus a fugirem dos teus.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Para lá do que se vê.
Com a ausência que tu arrastas,Nessa timidez das palavras, que não são prosa ou poema,
São um vomitar de sentimentos baços.
Como o teu apelido a fazer-me de nome,
E eu a escreve-lo com a mão esquerda,
E ele a sair-me pela boca, como um suspiro de tédio, de hábito.
Porque o nariz, esse está partido.
(- respira. É o suficiente.)
E o ar a doer-me, a queimar-me os pulmões.
E tudo morto, tu morto de olhos esbugalhados, eu morta a respirar pela boca. Mas tudo me dói, como tu a marcar o tempo com a biqueira do sapato. E o tempo a estender-se para lá do que se vê.
Mas ninguém nos vê, ninguém nos ouve.
Eu queria que soubesses que me fazes falta, que eu tenho saudades das tuas mãos, dos teus pulsos, dos teus cotovelos.
Eu queria dizer, para o caso do tempo te ter amordaçado as memórias, que eu sou tua. Para lá do que se vê. Do que se sente. Para lá do que eu alguma vez te mostrei, desculpa-me a falta de paixão, as mentiras que eu te deixei no bolso. Quase vertigens dos rumores que ouvimos.
(- foi ele a ela. Porque nunca, nunca ele a amou.)
E o teu nome, um gatafunho na pele, em desejo da carne ou mais que isso, o que está entre a carne e o osso, mas nunca mais que isso.
E o cabelo dela (o que viste nela, para além da carne?) a chamar por ti.
(- que mentiras traz o teu tome? - Nenhumas, nenhumas, que disparate.)
E um ponto de exclamação a fazer-me de funeral, e os olhos a voltarem-se e eu um ponto de interrogação, perdida nas batidas das biqueiras do teu sapato. Não durante horas, mas durante o tempo de uma vida e o que vai para além dela. Para lá do que se vê.
E uma carta no correio, e depois debaixo da almofada e depois só uma lembrança levada pelos braços da juventude. Mas o cheiro do papel e da tinta ás vezes lamenta-se pelos caminhos da saudade. E as coisas insignificantes, como o azul do colarinho dos fatos de domingo, surgem como por uma janela, embaciados pelo tempo, tatuados a lápis. O azul do teu colarinho não a marca do batom. O cheiro do colarinho, não o pescoço a pulsar por debaixo.
Que saudades dos teus colarinhos, da realidade deles. De tu ires para a guerra e a cabeça rapada. De tu voltares da guerra e a cabeça estragada. E os lençóis puxados para trás, não para arejarem, mas para arrefecerem.
(- sabes, as memórias são cobertores para o coração? Eu sei que sabes.)
E eu a não saber nada, por causa do alzheimer que a tua ausência me obriga, com os olhos trocados, presos ao chão.
(- mãe, não me deixes.)
E a mãe para lá do que se vê a pedir desculpa da terra, a comer a terra.
(não, a terra a come-la a ela.)
E as coisas que são insignificantes de mão dada connosco para lá do que se vê.
domingo, 19 de abril de 2009
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