terça-feira, 28 de abril de 2009

Lust, misery, chaos, summertime



E de repente lembrei-me que foi no Verão, e que tu sabias a água salgada mas, (Deus, como dói só entender hoje), os teus dedos cheiravam a chuva.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Mensagem 142


Há dias assim..

Although we've only known each other a bit already I can't sleep at night and I feel like shit

Há qualquer coisa que me dói onde não devia,
Como a tua forma de te agarrar ás palavras, que me dói de uma forma imensa.
Como se todas as tuas mentiras fossem culpa minha.
Todas as mentiras que trazes na ponta do dedo,
Sempre pronto a espetar na ferida daqueles que choram quando vêem sangue.
Nunca saram as minhas feridas, nunca cicatrizam. Tu não deixas.
Nunca sangro de dentro para fora, mas de ti para mim.
Os teus olhos presos nela, e os meus a fugirem para ti.
Talvez tu me salvasses, dos lugares em que eu me deixei perder.
Da minha confusão de cabeça. (merda, merda, merda)
Os teus olhos presos ao rabo dela, e os meus a fugirem dos teus.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Mensagem 139

I always thought I would end up with you eventually

*The Kooks

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Para lá do que se vê.

Com a ausência que tu arrastas,
Nessa timidez das palavras, que não são prosa ou poema,
São um vomitar de sentimentos baços.
Como o teu apelido a fazer-me de nome,
E eu a escreve-lo com a mão esquerda,
E ele a sair-me pela boca, como um suspiro de tédio, de hábito.
Porque o nariz, esse está partido.
(- respira. É o suficiente.)
E o ar a doer-me, a queimar-me os pulmões.
E tudo morto, tu morto de olhos esbugalhados, eu morta a respirar pela boca. Mas tudo me dói, como tu a marcar o tempo com a biqueira do sapato. E o tempo a estender-se para lá do que se vê.
Mas ninguém nos vê, ninguém nos ouve.
Eu queria que soubesses que me fazes falta, que eu tenho saudades das tuas mãos, dos teus pulsos, dos teus cotovelos.
Eu queria dizer, para o caso do tempo te ter amordaçado as memórias, que eu sou tua. Para lá do que se vê. Do que se sente. Para lá do que eu alguma vez te mostrei, desculpa-me a falta de paixão, as mentiras que eu te deixei no bolso. Quase vertigens dos rumores que ouvimos.
(- foi ele a ela. Porque nunca, nunca ele a amou.)
E o teu nome, um gatafunho na pele, em desejo da carne ou mais que isso, o que está entre a carne e o osso, mas nunca mais que isso.
E o cabelo dela (o que viste nela, para além da carne?) a chamar por ti.
(- que mentiras traz o teu tome? - Nenhumas, nenhumas, que disparate.)
E um ponto de exclamação a fazer-me de funeral, e os olhos a voltarem-se e eu um ponto de interrogação, perdida nas batidas das biqueiras do teu sapato. Não durante horas, mas durante o tempo de uma vida e o que vai para além dela. Para lá do que se vê.
E uma carta no correio, e depois debaixo da almofada e depois só uma lembrança levada pelos braços da juventude. Mas o cheiro do papel e da tinta ás vezes lamenta-se pelos caminhos da saudade. E as coisas insignificantes, como o azul do colarinho dos fatos de domingo, surgem como por uma janela, embaciados pelo tempo, tatuados a lápis. O azul do teu colarinho não a marca do batom. O cheiro do colarinho, não o pescoço a pulsar por debaixo.
Que saudades dos teus colarinhos, da realidade deles. De tu ires para a guerra e a cabeça rapada. De tu voltares da guerra e a cabeça estragada. E os lençóis puxados para trás, não para arejarem, mas para arrefecerem.
(- sabes, as memórias são cobertores para o coração? Eu sei que sabes.)
E eu a não saber nada, por causa do alzheimer que a tua ausência me obriga, com os olhos trocados, presos ao chão.
(- mãe, não me deixes.)
E a mãe para lá do que se vê a pedir desculpa da terra, a comer a terra.
(não, a terra a come-la a ela.)
E as coisas que são insignificantes de mão dada connosco para lá do que se vê.

domingo, 19 de abril de 2009

"droguei-me de ti, e agora de ti ressaco"


E eu a dizer-te que
- A mais ninguém como a ti.

Nunca, a mais ninguém como a ti. Nos teus olhos e no rio do teu riso. Nunca a mais ninguém como a ti. Que verdade mais absurda de tão obvia.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

How can I help what you think?

As palavras a não me caberem na cabeça,
E a tentarem chegar-me á língua,
Mas a enfiarem-se nos dedos.
E são estas, não bem estas, mas semelhantes a estas, as que eu te tentei dizer.
Talvez se tivesses tido tempo,
Não o tempo do relógio, mas tempo de verdade.
Porque eu senti a tua pele debaixo dos meus dedos,
Não a pele, mas a consistência dela, a realidade dela, a verdade dela.
E ignorei-a, ignorei a tua pele que eu queria como minha.
A tua pele debaixo dos meus dedos e eu a virar os olhos, a dobrar os dedos.
A enfiar-me nos cantos com medo que alguém reparasse em mim e perguntasse:
- E esta quem é?
E o meu nome a soar estranho.
Não, não ridículo. Não foi isso que eu disse. Estranho,
Como se não fosse o meu nome, eu, mas um som.
E eu a tentar-te fazer entender, e tu a virar os olhos de mim, a prende-los em sei lá quem
(não quero saber, não digas)
E o meu nome cada vez mais estranho na boca dos outros,
e eu a pedir-te para não me roubares memórias,
e tu a fingir-te de surdo.
Que raiva, os meus dedos a sentirem-te sem tu aqui estares,
Que raiva, a tua pele a ganhar forma. Eras tu, não a tua pele, eras tu.
E as palavras a não serem suficientes,
E tu sem tempo, com o relógio a dar-te corda aos músculos,
- E esta quem é?
E todos a voltarem-se para mim,
E eu, de repente, ninguém. Como se vê na televisão.
E tu a sorrir-me, a pedir-me com o sorriso. Há tempo de mais.
- E esta quem é?
E eu com medo da minha resposta.
E as palavras a cansarem-se da espera,
E aos poucos, a petiscarem-me o ser.
Um bocadinho ali e aqui, até a falta ser muita.
Não tenho medo de ti, da tua pele debaixo dos meus dedos. É só pele.
Eu atrás dos moveis, debaixo da mesa e mesmo assim
- E esta quem é?
Silencio de quem tem voz, como resposta.
E o peito a latejar mas eu já nem sinto.
E o peito a bater de dor, mas sem dor.
E, aqui e ali:
- E esta quem é?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Bon Iver


I told you to be patient, I told you to be fine

segunda-feira, 13 de abril de 2009

wrote. told.


já em nada me incomodam as trevas
nocturnas: bastas-me tu, a minha luz.
*Apuleio